NAPI marca presença no XXX Congresso Brasileiro de Ornitologia

Evento ocorreu na Universidade Ceuma, em São Luís, no Maranhão

O estudo científico das aves pode revelar muito mais do que imaginamos! Esses animais podem ser desde “termômetros vivos”, já que sua presença ou não pode indicar a qualidade de um ambiente, até excelente exemplos de evolução, uma vez que características como formato do bico, asas, plumagem e comportamento expõem adaptações ambientais e complexas redes ecológicas.

 

Esse estudo é chamado de ornitologia, contemplado por um dos maiores encontros científicos do Brasil: o Congresso Brasileiro de Ornitologia (CBO). O evento reúne pesquisadores, estudantes, gestores ambientais e todos aqueles envolvidos com a Ornitologia no Brasil, abordando os mais diversos estudos sobre aves no país, bem como o interesse pela avifauna, pela biodiversidade e pela conservação da natureza. 

 

A edição de 2026, o XXX CBO, aconteceu em São Luís, no Maranhão, entre os dias 20 a 24 de setembro, na Universidade Ceuma. O tema foi “A Ornitologia no Antropoceno: da história natural à revolução digital”, focando em como as atividades humanas estão transformando profundamente os habitats, comportamentos e sobrevivência das aves, a partir da apresentação de simpósios, apresentações orais e posters.

 

E como a ornitologia é de extrema importância para o NAPI Biodiversidade, claro que não poderíamos ficar de fora! A pós-doutoranda do Arranjo, no eixo de Serviços Ecossistêmicos, Thuani Luísa Saldanha Wagener, apresentou o pôster “Hotspots para aves associadas às áreas úmidas do Paraná: mudanças no uso da terra e conservação”. Além dela, participaram do desenvolvimento do trabalho os pesquisadores Weverton Carlos Ferreira Trindade, André Andrian Padial, Marcos Bergmann Carlucci e Victor Zwiener.

Pós-doutoranda Thuani Luísa Saldanha Wagener apresentando o pôster “Hotspots para aves associadas às áreas úmidas do Paraná: mudanças no uso da terra e conservação” durante o XXX Congresso Brasileiro de Ornitologia

As áreas úmidas, ou seja, os ecossistemas de transição entre ambientes terrestres e aquáticos, são essenciais para a vida das aves, pois, nesses ambientes, encontram-se ricos abrigos, alimentação e ótimos cenários para reprodução. No entanto, são espaços que sofrem intensa pressão antrópica; isto é, da ação humana.

 

Dessa forma, os hotspots podem indicar para os cientistas áreas prioritárias para conservação. Assim, os pesquisadores selecionaram 101 espécies e indicaram que os hotspots são zonas com a presença de 50 espécies ou mais. 

 

“O estudo tem como objetivo mapear os principais hotspots de aves de áreas úmidas do Paraná e avaliar uso da terra e proteção por Unidades de Conservação (UCs). Selecionamos as aves de acordo com o seu tipo de habitat e depois projetamos os modelos  de nicho ecológico para o Estado. Sobrepondo essas projeções, elas nos dizem o quanto do habitat é mais adequado e menos adequado, com variáveis de clima, de plantas e de solo, ou seja, as projeções indicam quais as áreas do Paraná que são mais adequadas para a ocorrência dessas espécies de áreas úmidas”, explica a pós-doutoranda Thuani.

 

Foram identificados hotspots no leste, sudeste e centro-sul do Estado, o equivalente a 25.702,44 km². Esse número corresponde a apenas 12,9% do Paraná, em que desta área somente 12,8% estão protegidos, ou seja, possuem UCs. De acordo com Thuani, o indicativo ideal de zona conservada deveria ser, pelo menos, de 30%, demonstrando como estamos muito distantes desse número.

Mapa desenvolvido pelos pesquisadores com base nos resultados obtidos com o estudo

Com auxílio das plataformas MapBiomas e World Database on Protected Areas (WDPA), os pesquisadores conseguiram investigar como a terra está sendo utilizada para indicar tão pouca preservação. Comparando dados de 1985 e de 2024, chegaram a conclusão que muito da diminuição do percentual de áreas protegidas se deve ao crescimento exponencial do uso da terra para plantação de soja, silvicultura e urbanização.

 

“Então, além de contar com poucas UCs, as categorias de uso da terra dentro desses hotspots tem mudado muito com os anos. Houve o aumento de áreas antropizadas e uma diminuição dos ambientes naturais, que são super importantes para as aves de áreas úmidas”, comenta Thuani. 

 

Embora os resultados ainda sejam preliminares, a pós-doutoranda destaca a importância da participação em congressos como o XXX CBO, uma vez que é a oportunidade de apresentar resultados de estudos para a academia e para a sociedade, debater com outros pesquisadores, trocar opiniões e divulgar importantes dados. 

 

Ainda, além da apresentação do pôster, o evento contou com uma palestra do pesquisador do Arranjo e coordenador do Laboratório de Ornitologia e Bioacústica (Lóbio), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), professor Luiz dos Anjos. O tema foi acerca de uma das inovações desenvolvidas no NAPI Biodiversidade, que você pode conferir na matéria “Software monitoraSom transforma cantos de aves em imagens”.

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