Relatório técnico de workshop sobre invasões biológicas é publicado

Encontro científico e técnico sistematizou diretrizes estaduais para conter avanços de invasões biológicas

Para além de desmatamentos, queimadas, caçadas ilegais ou poluição, uma das principais ameaças à biodiversidade, aos serviços ecossistêmicos e à gestão ambiental são as invasões biológicas. Ainda que possam parecer inofensivas, quando espécies animais ou vegetais estão fora do seu habitat natural, elas são capazes de eliminar espécies nativas e de promover alterações físico-químicas nos ambientes que invadem.

 

Por isso a importância da conscientização social acerca de espécies invasoras, o que motivou a promoção do Workshop “Invasões Biológicas em Pauta: Ecologia, Gestão, Manejo e Monitoramento”, realizado por pesquisadoras vinculadas à Meta 9 do NAPI Biodiversidade: Serviços Ecossistêmicos.

 

O evento ocorreu nos dias 1 e 2 de junho de 2026, no Centro de Educação Ambiental do Iguaçu e reuniu pesquisadores, gestores públicos e sociedade civil para construir metas objetivas de conservação. Os encontros resultaram em um relatório técnico, que agora está disponível e detalha as etapas pelas quais uma espécie exótica supera barreiras geográficas, de sobrevivência e reprodução até se consolidar como invasora. Apenas no Paraná há 23.818 ocorrências de 496 espécies invasoras nos 399 municípios, de acordo com o Observatório Paranaense de Espécies Não-Nativas.

 

O Relatório Técnico – Workshop “Invasões Biológicas em Pauta: Ecologia, Gestão, Manejo e Monitoramento”, desenvolvido pelas pesquisadoras Ana Alice Eleuterio, Diana Leticia Molinas Bogado, Nathalia Brunetto, Daniela Alvarado, Aline Mattos e Anabel de Lima, expõe como reverter o quadro atual, apresentando um conjunto de medidas operacionais e legislativas.

 

Nas conclusões do relatório, destaca-se uma matriz abrangente de recursos e parcerias para a execução das diretrizes propostas. A viabilização das metas depende da criação de um fundo orçamentário específico para espécies invasoras, do fortalecimento das ações integradas com a Receita Federal e o IBAMA nas fronteiras, e da capacitação contínua de técnicos, jardineiros e pescadores. Em última análise, o relatório técnico demonstra que a sustentabilidade dos ecossistemas paranaenses exige o abandono de ações isoladas em favor de um planejamento de longo prazo, no qual a ciência subsidie continuamente a legislação e a gestão pública.

 

O relatório apresenta, portanto, um plano de ação abrangendo a capacitação da comunidade com materiais didáticos e oficinas, envolvendo educadores, prefeituras, Itaipu, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e Instituto Água e Terra (IAT). Além disso, destaca a importância de políticas públicas e fiscalização, com atualização legislativa, inteligência aduaneira com Receita Federal e IBAMA, bem como o financiamento público. E, claro, a mobilização por meio da Ciência Cidadã e Saúde Única, com auxílio de aplicativos, além de verbas de custeio e integração entre secretarias de saúde e meio ambiente.

 

Para conferir o relatório completo clique aqui.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *