Pesquisadores unem forças para entender o futuro da Amazônia e da Mata Atlântica

Informações das pesquisas desenvolvidas no NanoRad’s 2.0 e NAPI Biodiversidade: RESTORE foram compartilhadas em encontro em Manaus

Pesquisadores de todo o Brasil unem forças para o desenvolvimento de iniciativas que auxiliem na conservação e preservação das ricas florestas do país. Do Oiapoque ao Chuí a preocupação com o futuro da fauna e flora brasileiras é latente, unindo conhecimentos e avanços científicos de cientistas de todos os Estados. 

 

Os trabalhos desenvolvidos dentro do NAPI Biodiversidade: RESTORE, para a manutenção da riqueza da Mata Atlântica, chegaram, recentemente, à Floresta Amazônica. Em uma viagem até Manaus, os pesquisadores tiveram a oportunidade de conhecer um dos experimentos mais ambiciosos da atualidade acerca da preservação ambiental – você pode conferir tudo sobre a visita na matéria AmazonFACE recebe cientistas do NAPI RESTORE na Amazônia –, além de aproveitarem a oportunidade para se conectarem a outras iniciativas super importantes.

 

Outro braço da expedição amazônica foi conhecer o NanoRad’s 2.0, que faz parte de um consórcio de projetos que abrangem instituições de pesquisa dos nove Estados da Amazônia Legal. Esse grupo está contemplado dentro das pesquisas do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad), criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e com patrocínio da Shell Brasil.

 

O Cibrad foca no desenvolvimento de soluções baseadas na natureza que ampliem a recuperação de áreas degradadas da Floresta Amazônica. Da mesma forma, o NAPI Biodiversidade: RESTORE realiza pesquisas nesse ramo para a recuperação da Mata Atlântica. 

 

Por isso, pesquisadores do Arranjo visitaram o NanoRad’s 2.0, coordenado por José Francisco de Carvalho Gonçalves. Atualmente, ele também é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (MCTI-INPA), membro titular da Academia Brasileira de Ciências Agronômicas (ABCA) e coordenador do Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Vegetal (INPA-LFBV), que é um grupo de pesquisa do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI).

Pesquisadores no Laboratório de Fisiologia e Bioquímica Vegetal (INPA-LFBV)

O projeto coordenado por Gonçalves visa usar a nanotecnologia para melhorar a produção de mudas para programas de reflorestamento, sendo uma premissa muito semelhante a do RESTORE. A diferença entre os projetos é que o primeiro utiliza uma nanoformulação comercial, ou seja, que já existe e é usada no mercado, que é a Arbolina. Ela já é aplicada por agricultores e os pesquisadores não precisam restringir seus testes à viveiros, fazendo com que já haja validações em campo dessa tecnologia, com alguns testes com mais de dois anos. Enquanto no RESTORE há o desenvolvimento de novas e próprias formulações, que passarão a ser testadas fora de viveiros agora, no novo ciclo do Arranjo. 

 

“O objetivo foi, principalmente, ver de perto como eles estão montando experimentos em campo para validar essa tecnologia, que é algo que faremos agora no RESTORE. A gente pretende fazer experimentos de campo que sejam de longo prazo, igual eles têm, para acompanhar o acúmulo de carbono e a mortalidade das plantas ao longo de anos”, explica o coordenador do NAPI Biodiversidade: RESTORE, o professor doutor Halley Caixeta de Oliveira.

 

O destaque do NanoRad’s 2.0 é o uso da castanheira-da-Amazônia, árvore símbolo desta importante floresta, que tem um grande valor comercial e é fundamental para o reflorestamento para estoque de carbono. Os pesquisadores testam como a nanotecnologia ajuda essas árvores a crescerem mais rápido e a estocarem mais carbono, além de gerar renda para os produtores através da castanha. A ideia é que, no futuro, as tecnologias desenvolvidas alcancem nível nacional, não envolvendo apenas espécies da Amazônia, mas também da Mata Atlântica. 

 

Além do uso da nanotecnologia, a convergência dos projetos também ocorre na testagem de microrganismos e outros bioestimulantes, que fazem parte das novas fases de ambos os projetos, evidenciando a existência de uma grande rede que envolve o uso de soluções baseadas na natureza como soluções inovadoras para o reflorestamento. Algo que só evidencia a necessidade do estabelecimento de uma parceria sólida, fortalecendo a pesquisa brasileira e sendo possível a realização de testes com tecnologias do Sul no Norte e vice-versa, criando uma rede nacional de pesquisadores mais forte.

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