O encontro ocorreu na Universidade Estadual de Londrina (UEL)
O que existe abaixo da superfície do solo, invisível a olho nu, é tão fascinante quanto tudo o que conseguimos ver em floresta inteira. Existe uma complexa rede formada por bilhões de bactérias, fungos e outros microrganismos que sustenta tudo o que está acima, movendo e alimentando todo um ecossistema. Esse universo esteve no centro das atividades realizadas durante a visita da pesquisadora do NAPI Biodiversidade: RESTORE e professora de Ecologia Microbiana na Universidade Técnica de Munique (UTM), doutora Karin Pritsch.
Além de lecionar, Karin é líder de grupo em um dos maiores centros de pesquisa biomédica não universitários da Alemanha, o Centro Helmholtz de Munique – Centro Alemão de Pesquisa em Saúde Ambiental (GmbH), também conhecido como Helmholtz Munique. Todo esse conhecimento também é aplicado dentro do NAPI, uma vez que a experiência da pesquisadora contribui nos avanços sobre isolamento e cultivo de fungos, sistemas experimentais planta-micróbio e análises de comunidades fúngicas do solo.
“No NAPI Biodiversidade: RESTORE contribuí com minha experiência de mais de 10 anos de pesquisa sobre os efeitos da seca na rizosfera de árvores florestais. Como a seca é o principal desafio para o estabelecimento de mudas, as diferentes especializações do projeto em fitotecnia, nanotecnologia e microbiologia foram muito complementares para explorar soluções baseadas na natureza para melhorar o estabelecimento de mudas em projetos de restauração”, afirma a pesquisadora alemã.
Convidada pelo coordenador do Arranjo, professor doutor Halley Caixeta de Oliveira, Karin foi até a Universidade Estadual de Londrina (UEL) para ver de perto o andamento das pesquisas do NAPI no Paraná, além de conhecer outros projetos em andamento no Laboratório de Ecofisiologia Vegetal (LEFIV/UEL).
Ainda, a pesquisadora ministrou uma aula sobre microbiologia do solo e micorrizas — que são raízes finas absorventes de árvores florestais que interagem com fungos simbióticos. Durante o curso, a especialista apresentou o solo como um dos habitats mais biodiversos do planeta e discutiu métodos utilizados para estudar essa riqueza biológica.
Professora Karin Pritsch com alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Além disso, destacou o papel fundamental dos microrganismos na ciclagem de nutrientes e nas interações com as plantas, abordando desde bactérias benéficas até fungos que ajudam as raízes a absorver água e nutrientes, expondo que compreender o sistema da rizosfera é fundamental para melhorar o desempenho das plantas, principalmente em condições ambientais adversas, como a seca.
“Uma parte importante da aula foi sobre as interações planta-microrganismo, incluindo micorrizas, mas também outros microrganismos que beneficiam as plantas. No entanto, os fungos, por serem normalmente menos considerados em sala de aula, receberam um espaço extra. Tentei também abordar uma visão ampla sobre aspectos de diferentes ecossistemas, como os desafios atuais que enfrentamos na Europa Central e aqueles que são particularmente importantes no Brasil tropical e subtropical”, explica a pesquisadora.
Mais do que uma visita científica, o encontro reforçou a importância da cooperação internacional para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e encontrar soluções sustentáveis para os desafios ambientais do presente e do futuro, tanto no Brasil, quanto na Alemanha.
