Os pesquisadores compartilharam avanços nos estudos sobre a conservação da Amazônia e Mata Atlântica
Uma ponte científica está sendo construída entre o sul do Brasil e o coração da Amazônia, com o objetivo de preparar nossas florestas para os desafios das mudanças climáticas. Pesquisadores do NAPI Biodiversidade: RESTORE, que atuam na Mata Atlântica, realizaram uma visita técnica a Manaus para trocar experiências com grandes projetos de conservação e tecnologia florestal.
A jornada começou por meio de uma conexão com a pesquisadora alemã Karin Pristch, da Universidade Técnica de Munique (UTM). Ela é uma das cientistas da Alemanha do RESTORE e estuda fungos micorrízicos, ou seja, microrganismos que estabelecem uma relação simbiótica, chamada de mutualismo, com as raízes de espécies vegetais. O objetivo dos estudos é analisar como esses fungos em associação com raízes, formando uma rica microbiota do solo, colaboram para que espécies arbóreas tenham mais resistência à períodos de seca.
Para além das pesquisas realizadas com o Arranjo, Karin também formalizou uma parceria, por meio da UTM, com pesquisadores do projeto AmazonFACE, que se comporta quase como uma máquina do tempo no meio da Floresta Amazônica. Isso porque esse megaexperimento científico a céu aberto simula os efeitos das mudanças climáticas, expondo árvores maduras à concentrações futuras de dióxido de carbono (CO2) para entender como o bioma reagirá ao aquecimento global, ou seja, a partir do aumento da poluição nos próximos anos.
Localizado em uma área isolada perto de Manaus para evitar interferências urbanas, o projeto é coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Possui diversos parceiros no Brasil e em todo o mundo. Ele é composto por um agrupamento de torres que promovem a injeção de CO2 para aumentar a proporção do gás naquela região, simulando o possível futuro da floresta e realizando o acompanhamento da ciclagem de nutrientes na floresta, a nível de fisiologia e ecológico.
Estrutura de torres utilizadas para os experimentos do projeto AmazonFACE (Foto: Audiovisual G20)
É um dos experimentos mais ambiciosos da atualidade, o que torna fundamental que os pesquisadores do NAPI conheçam de perto para aplicar métodos semelhantes no monitoramento de reflorestamentos na Mata Atlântica, focando em como o solo e as raízes se comportam a longo prazo. Assim, Karin formalizou a ponte entre os pesquisadores do projeto e os cientistas do Arranjo, levando todo mundo para o coração amazônico.
“O objetivo dessa visita foi conhecer esse sistema e toda essa infraestrutura de pesquisa que foi montada lá. Entender, principalmente, como são feitas as medidas referentes à ecofisiologia e avaliação de microbiota do solo e desenvolvimento de raízes, que são muito importantes para o RESTORE. Além disso, foi importante termos uma comparação mais próxima de dois ecossistemas tão diferentes, que são da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica”, explica o coordenador do NAPI Biodiversidade: RESTORE, o professor doutor Halley Caixeta de Oliveira.
Pesquisadores do NAPI Biodiversidade: RESTORE na área de pesquisas do AmazonFACE, no meio da Floresta Amazônica
O conhecimento dos ensaios de campo promovidos pelos cientistas do AmazonFACE se torna cada vez mais precioso para os pesquisadores do Arranjo, que estão seguindo para essa fase, com mais validações na prática, acompanhando e monitorando reflorestamentos em campo também.
O foco agora é utilizar os conhecimentos adquiridos com os experimentos e estudos em laboratório e viveiros, de curto prazo, para passar a acompanhar o crescimento das florestas por anos a fio, garantindo que as árvores plantadas hoje, bem como os remanescentes da Mata Atlântica, realmente sobrevivam e ajudem a salvar o planeta no futuro.
