Orientações foram publicadas em policy brief derivado do Workshop "Invasões Biológicas em Pauta: Ecologia, Gestão, Manejo e Monitoramento"
As invasões biológicas representam uma das maiores causas de perda de biodiversidade no planeta, sendo diretamente associadas ao declínio populacional de 14% das espécies de vertebrados em risco crítico de extinção. No Brasil, os prejuízos acumulados entre 1984 e 2019 atingiram R$ 417 bilhões, gerando um custo médio anual de R$ 12 bilhões entre perdas produtivas e gastos com o manejo.
O estado do Paraná reflete a gravidade desse cenário global: dados do Observatório Paranaense de Espécies Não-Nativas indicam a presença de 496 espécies exóticas invasoras em 23.818 ocorrências registradas em todos os 399 municípios.
Para responder a esse desafio, um policy brief derivado do Workshop “Invasões Biológicas em Pauta: Ecologia, Gestão, Manejo e Monitoramento” foi desenvolvido pelas pesquisadoras Anabel de Lima, Diana Leticia Molinas Bogado, Nathalia Brunetto, Daniela Alvarado, Aline Mattos e Ana Alice Eleuterio. O evento ocorreu nos dias 1 e 2 de junho de 2026, no Centro de Educação Ambiental do Iguaçu, gerando um diagnóstico detalhado dos impactos e orientando a formulação de políticas estaduais de contenção.
O documento Prioridades para a Gestão de Espécies Exóticas Invasoras no Paraná destaca entraves críticos distribuídos em políticas públicas, unidades de conservação, ecossistemas aquáticos, uso de plantas ornamentais e manejo de animais domésticos. Esses pontos reunidos evidenciam a necessidade de uma governança preventiva e integrada, apoiada em detecção precoce, resposta rápida, financiamento contínuo e articulação entre ciência, gestão pública e sociedade.
Há a problemática da escassez de recursos humanos e financeiros nos órgãos ambientais, bem como a desatualização das regulamentações vigentes e o descarte inadequado de resíduos de jardinagem e arborização urbana. Além disso, ressalta-se o impacto predatório de cães e gatos soltos em áreas protegidas, bem como a proliferação de peixes invasores em rios e reservatórios, afetando a geração de energia hidrelétrica e a pesca local.
Para a melhora desse cenário, as pesquisadoras indicam estratégias de gestão e formalizam recomendações prioritárias para o Paraná, como ações de conscientização com a comunidade, a integração de dados entre plataformas, bem como a urgência de garantir editais e fundos públicos ininterruptos para subsidiar ações contínuas de manejo e pesquisa. Além disso, destaca-se como é fundamental uma aliança permanente entre a comunidade científica, governos e sociedade civil, alinhando a proteção ecológica à prevenção de zoonoses sob o preceito fundamental da Saúde Única.
Para conferir o policy brief completo clique aqui.
