Artigo científico foi publicado na revista científica internacional de primatologia Primates
Os sons que compõem a trilha sonora da Floresta com Araucárias têm sido modificados com o passar dos anos. O canto dos pássaros, o guincho dos macacos ou mesmo o coaxar dos sapos vêm sendo substituídos por motores de carros, o ruído de serras elétricas e o estrépito constante das obras de construção. Essa transformação na paisagem não apenas abafa os sons nativos, mas afeta diretamente a fauna que tenta resistir nesses trechos remanescentes.
O guincho particular e muito identificável dos macacos bugios é, especialmente, um dos afetados. Espremidos pela expansão urbana, ameaçados por surtos letais de febre amarela silvestre e acuados por cães domésticos e atropelamentos, a população da espécie se encontra ameaçada e necessita de maiores cuidados.
Particularmente, os bugios-ruivos (Alouatta guariba) foram alvo de um grupo de pesquisadores para o desenvolvimento de um estudo sobre a sua presença em nossas florestas. Amanda Letícia Borges, Gabriel Rangel Santos-Mariano, Pedro Augusto Andrich Mota, Samuel Barbarine da Silva, Mário Retondo e Lucas M. Aguiar publicaram na revista científica internacional de primatologia Primates o artigo “Group size and composition of brown howler monkeys (Alouatta guariba) in three fragments of Araucaria Pine Forest in southern Brazil”, que trata acerca do tamanho e composição de grupos de bugios-ruivos (Alouatta guariba) em três fragmentos de Floresta com Araucária, de tamanhos semelhantes, localizados nas proximidades de Curitiba.
Bugio-ruivo (Foto: Andrezza Pinheiro Anhaia)
Ao longo de 332 quilômetros percorridos a pé, em expedições mensais que duraram até 13 meses, os pesquisadores monitoraram 17 grupos de bugios-ruivos. A pesquisa revelou, com base em modelos estatísticos avançados (Modelos Lineares Mistos Generalizados), que os grupos analisados possuem em média 4,88 indivíduos, variando de pequenas duplas a famílias de até oito primatas.
A composição típica de um grupo é formada por 1 macho adulto, 0,5 macho subadulto, 1,7 fêmeas adultas, 1,2 juvenis e 0,4 infante. Os dados também apresentaram que, em grupos maiores, há um aumento significativo no número de fêmeas adultas e de jovens, sugerindo um aumento geral na aptidão biológica, ou seja, famílias mais numerosas parecem oferecer melhor proteção, cooperação social e condições mais favoráveis para o desenvolvimento dos filhotes.
Com esses números, os pesquisadores compreenderam que a razão entre imaturos e fêmeas foi de 0,96, um parâmetro que está na faixa típica da espécie, mas que é característica de populações com crescimento estagnado. Dessa forma, caracteriza grupos de poucos filhotes chegando à idade adulta, o que reforça a necessidade urgente de medidas de conservação e criação de corredores ecológicos para conectar esses fragmentos e garantir a sobrevivência da espécie.
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