Pesquisadoras do NAPI participam do Pint of Science 2026

As apresentações ocorreram em bares de Londrina e Maringá

O NAPI Biodiversidade faz um brinde à ciência e à divulgação científica. Não podíamos ficar de fora de mais uma edição do Pint of Science, que vem colaborando para que o conhecimento desenvolvido dentro de laboratórios e universidades extrapolem esses espaços e estejam inseridos no dia a dia da sociedade. 

 

A edição de 2026 estabeleceu um novo recorde no Brasil, já que esteve presente em 213 cidades brasileiras, de forma simultânea, durante os dias 18, 19 e 20 de maio. Isso fez com que o país se destacasse com o maior número de municípios participantes do festival em todo o mundo, desbancando outros quase 30 países. 

 

E, claro, que o NAPI não deixaria de marcar presença neste grandioso evento, levando à Londrina e Maringá, que fazem parte das 70 cidades participantes da região Sul, muito conhecimento e reflexão, por meio da união do lazer e aprendizado. 

 

O evento maringaense foi coordenado pela pesquisadora do NAPI Biodiversidade e professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Dra. Carla Simone Pavanelli, que acredita que a alma do evento é oferecer à comunidade uma comunicação mais leve sobre assuntos do campo científico, ao invés de informar com uma linguagem técnica e que não envolva as pessoas.

Prof. Dra. Carla Simone Pavanelli, de blusa amarela, no lançamento oficial do Pint of Science de Maringá, realizado na prefeitura da cidade (Foto: Milena Massako Ito)

“Sabemos que nem todos os que se inscreveram foram, e que nem todos que foram se inscreveram, mas acho que podemos considerar o número de 775 ouvintes, do sistema de registro do evento, próximo do real. Assim, foram seis bares que ficaram cheios, alguns com gente de pé. Isso mostra que o Pint não movimenta só o universo da ciência, mas a economia da cidade, já que o pessoal consome durante o evento”, conta a coordenadora do evento. 

 

No primeiro dia, no Bar Caravelha, o professor do Departamento de Física da UEM, Dr. Luiz Roberto Evangelista, iniciou os trabalhos com a conversa “Ciência: o encanto que dura para sempre”, abordando sobre o que é ser um cientista e sobre a necessidade de formar novos amantes da ciência. Enquanto isso, na cervejaria RedCor, a professora do Departamento de Biotecnologia, Genética e Biologia Celular da UEM, Dra. Andressa Domingos Polli, falou sobre os fungos magnéticos como ferramenta de inovação nanotecnológica para a área ambiental, na palestra “Fungos magnéticos: inovação e nanobiotecnologia”.

 

Já no dia seguinte, no Bar, Apenas Bar, os participantes foram descobrir “Quem pode participar da luta antirracista?”, com auxílio da professora do Departamento de Ciências Sociais da UEM, coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-brasileiro e parte da ABNP – Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, Dra. Marivânia Conceição Araújo.

 

Perto dali, na Hórus Cervejaria, o engenheiro agrônomo e professor da UEM, Dr. Marcelo Augusto Batista, mostrou a pesquisa que busca entender como melhorar o uso de fertilizantes na agricultura, aumentando a produtividade das culturas de forma mais eficiente e sustentável, com a palestra “A revolução invisível no campo: o poder da nanotecnologia”

 

No último dia, no Don Beer, a discussão girou em torno “Da necessidade da arte”, com o sociólogo e professor aposentado da UEM, Eduardo Fernando Montagnari. Paralelamente, o professor associado do Departamento de Biologia da UEM e coordenador do Grupo de Estudos em Ecologia de Mamíferos e Educação Ambiental (GEEMEA), Henrique Ortêncio Filho, ministrou a palestra “Morcegos: extraordinários por natureza”, no Atari Bar.

Prof. Henrique Ortêncio Filho na palestra “Morcegos: extraordinários por natureza”, no Atari Bar (Foto: Milena Massako Ito)

Já em terras londrinenses, a professora do Laboratório de Ecologia e Comportamento Animal (LECA), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Dra. Ana Paula Vidotto Magnoni, apresentou “A vida nada secreta da fauna urbana”, no Bar Inébria, na noite do dia 18. Já no dia 20, no Distrito 43 Bar, os ouvintes contaram com a participação da professora do Laboratório de Ecofisiologia Animal  (LEFA) da UEL, Dra. Claudia Bueno dos Reis Martinez, com a apresentação “Microplásticos: pequenos no tamanho, grandes no impacto”, e da professora do Laboratório de Genética, Ecologia e Etiologia das Abelhas (LAGEA), Dra. Silvia Helena Sofia, que apresentou o tema “As abelhas estão sumindo: e agora?”.

 

No Bar Inébria, os participantes do evento puderam compreender melhor a fauna que habita os fragmentos urbanos, ou seja, descobrindo e conhecendo sobre os animais que somos capazes de encontrar no nosso dia a dia na cidade. Em especial, Ana Paula destacou a importância dos fundos de vale e dos corredores ecológicos para a preservação dessa fauna e manutenção da vida selvagem. 

 

Os fundos de vale são as regiões de planície e margens de rios ou córregos, sendo associados à rede de drenagem e funcionando como faixas de preservação e proteção de nascentes. Já os corredores são as faixas que conectam fragmentos de florestas que estão separadas nas cidades, construindo um caminho para o trânsito seguro da nossa fauna. Isso faz com que o “fluxo gênico”, ou seja, a troca de material genético, dentro dos centros urbanos não seja perdido, já que evita o isolamento da fauna e flora. 

 

“A população tem uma carência grande de informações sobre silvestres em geral. É importante levar ao público todos os benefícios que colhemos com a presença da fauna nas zonas urbanas e também é importante aproximar a população de temas antes restritos à comunidade científica. Os dados apresentados, por exemplo, são fruto de projeto vinculado ao NAPI Biodiversidade”, explica a professora do LECA.


Já a galera que foi até o Distrito 43 Bar ouviu um pouco sobre o declínio mundial nas populações de abelhas com a professora Silvia. Ela expôs que estamos passando pela sexta extinção em massa da biodiversidade, com as abelhas sendo uma das protagonistas desse grupo, já que estão, de fato, desaparecendo.

Prof. Dra. Silvia Helena Sofia na palestra “As abelhas estão sumindo: e agora?”, no Distrito 43 Bar (Foto: Arquivo pessoal)

Há 20 anos, já surgia, nos Estados Unidos da América, o termo Distúrbio do Colapso das Colônias (CCD = Colony Collapse Disorder), que se refere ao desaparecimento de populações de abelhas. As causas para isso são inúmeras: excesso de agrotóxicos, desmatamento, crise hídrica, poluição atmosférica, mudança do clima, extinção de espécies, destruição de habitats, acidificação oceânica, produção de lixo, hiper-produção e hiper-consumo, contaminação radioativa, alterações biogeoquímicas, camada de ozônio, degradação do solo e contaminação química.

 

Na apresentação, a professora Silvia explicou que são muitos os riscos para um grupo essencial para a manutenção da vida, afinal, as consequências para o mundo se as abelhas desaparecerem são o aumento da fome e da desnutrição, encarecimento dos alimentos, colapso de nossas florestas e perda drástica de biodiversidade.

 

Mas, há esperança para a reversão desse cenário, como a própria participação no Pint of Science, levando conhecimento e informação para a população, bem como a manutenção de pesquisas, como as do NAPI, para auxiliar na conservação destes polinizadores. 

 

Por fim, a professora Claudia abordou outro tema muito relevante, já que muitas pessoas ainda não têm dimensão do problema associado à produção e ao uso indiscriminado de plástico, que, no ambiente, se fragmenta em partículas cada vez menores.

Dra. Claudia Bueno dos Reis, com seus alunos, na palestra “Microplásticos: pequenos no tamanho, grandes no impacto”,
no Distrito 43 Bar (Foto: Arquivo pessoal)

“Partículas plásticas com tamanho inferior a 5 mm são denominadas microplásticos e, atualmente, já são encontradas em diversos compartimentos ambientais. Além disso, podem ser transportadas pela água e pelo ar, alcançando locais muitas vezes distantes de sua origem. Hoje, os microplásticos já foram detectados em diversos organismos aquáticos, como peixes, por exemplo, e também no ser humano, incluindo sangue, pulmão, cérebro e outros tecidos. Estudos já demonstraram, inclusive, a presença dessas partículas na placenta e no leite materno”, destaca a professora. 

 

Os ouvintes também tiveram a oportunidade de conhecer mais pesquisas do Arranjo, como as desenvolvidas no LEFA, que evidenciaram a presença de microplásticos em mexilhões e peixes mantidos em ribeirões da região de Londrina, como o ribeirão Cambé. O estudo destaca que, além dos efeitos causados pelas próprias partículas, os microplásticos também podem atuar como carreadores de outros contaminantes, como metais e fármacos, potencializando ainda mais seus impactos sobre os organismos e os ecossistemas.

 

Assim, Claudia evidenciou que o principal recado é que precisamos, com urgência, reduzir o consumo de plástico, promover o descarte correto dos resíduos e apoiar políticas públicas e ações voltadas à redução da poluição plástica.

 

As apresentações conseguiram expor temáticas extremamente atuais e que precisam ser discutidas para além dos limites das universidades e laboratórios. Quem já está ansioso para a edição do Pint of Science de 2027?

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