Pesquisadores revelam potencial bioherbicida de fungos

O estudo foi publicado na revista Biocatalysis and Agricultural Biotechnology

Uma disputa invisível acontece no meio de folhagens, arbustos e matas, entre organismos que compartilham o mesmo espaço. É o fenômeno ecológico e químico chamado de alelopatia. Isso quer dizer, que as plantas estão, constantemente, liberando compostos bioquímicos no ambiente em que estão inseridas, o que pode acarretar na inibição ou estímulo do crescimento, da germinação ou do desenvolvimento de outras plantas e microrganismos vizinhos.

 

E é justamente no processo alelopático que cientistas têm encontrado soluções inovadoras para um dos grandes desafios da agricultura: o controle de plantas daninhas. Um novo estudo, publicado na revista Biocatalysis and Agricultural Biotechnology, editora Elsevier, revela o potencial dos fungos endofíticos, ou seja, que vivem dentro das plantas, como aliados no desenvolvimento de bioherbicidas mais sustentáveis. 

 

A pesquisa, desenvolvida pelos cientistas do NAPI Biodiversidade e parceiros, Carolina de Sousa, Caroline Barbeiro, Vinicius Ribeiro Montes, Eduardo Jorge Pilau, Júlio César Polônio, Lindamir Hernández Pastorini e Claudete Aparecida Mangolin, investigou compostos produzidos por esses fungos e seus efeitos sobre espécies invasoras.

 

O estudo avaliou o potencial fitotóxico de extratos dos fungos Phyllosticta capitalensis, Curvularia americana e Muyocopron sp., que foram obtidos das folhas de Serjania laruotteana e testaram sua ação sobre duas plantas daninhas comuns, ou seja, a Ipomoea triloba (Convolvulaceae) e Digitaria insularis (Poaceae). E os resultados foram positivos, já que uma das espécies daninhas avaliadas teve seu crescimento reduzido em até 90%!

 

É uma descoberta que destaca o potencial da natureza em ter recursos próprios para a sua proteção e evidencia como esse universo ainda é pouco explorado. Os fungos endofíticos são fontes promissoras para o desenvolvimento de bioherbicidas, pensando no controle de plantas daninhas, mostrando uma alternativa muito menos agressiva ao meio ambiente do que herbicidas sintéticos.

 

Você pode conferir o artigo completo clicando aqui.

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