Artigo sobre o uso de nanotecnologia no combate à seca é publicado

A tecnologia foi testada em duas espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica

Os frequentes períodos de seca têm se tornado uma grande preocupação, tanto para a conservação da biodiversidade, quanto para a manutenção de plantios. A falta de chuvas é um problema que a ciência busca resolver, inclusive, diversos pesquisadores do NAPI Biodiversidade. 

 

É o caso da equipe formada pela Giovanna Camargo do Carmo, José Victor Soto de Mello, Ana Cristina Preisler, John David Oliveira de Lima, Roney Henrique Pereira, Joana Claudio Pieretti, Renata Stolf‑Moreira, José Antonio Pimenta, Amedea Barozzi Seabra e Halley Caixeta Oliveira.

 

Juntos, os cientistas publicaram o artigo “Effects of nanoencapsulated nitric oxide donor on Cecropia pachystachya Trécul and Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze seedlings subjected to short and long-term water deficit”, na Revista Trees – Structure and Function. O texto aborda o uso da nanotecnologia como estratégia para aumentar a tolerância à seca em mudas de duas espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica, a pioneira Cecropia pachystachya – ou seja, uma espécie que tem facilidade de colonizar ambientes com poucos recursos e onde antes não havia vegetação –, e a não-pioneira, Cariniana estrellensis

 

No estudo, eles utilizaram uma molécula gasosa super importante na proteção de estresses como a seca, o óxido nítrico (NO). No entanto, o NO possui a dificuldade de ser aplicado diretamente nas plantas, devido à sua natureza química Por isso, é fundamental, que juntamente dele, sejam utilizadas moléculas doadoras de NO, as quais são aliadas aos serviços da nanotecnologia para serem mais eficazes. 

 

Os pesquisadores investigaram o uso de nanopartículas de quitosana – fibra natural, derivada da quitina, encontrada no exoesqueleto de crustáceos – contendo uma molécula doadora de óxido nítrico, a S-nitrosoglutationa (GSNO). Isso para aumentar a resistência nos períodos de seca das espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica utilizadas como objeto, as quais foram submetidas a déficits hídricos de curta e longa duração.

 

Como resultado, os cientistas perceberam o aumento da condutância estomática, da taxa fotossintética, do potencial hídrico, do aumento da biomassa de raízes e folhas e da incidência de pelos radiculares da C. pachystachya, que alcançou níveis semelhantes aos de plantas bem hidratadas. Em contraste, as mudas de Cariniana estrellensis não responderam à aplicação das nanopartículas contendo GSNO em nenhuma das condições de estresse hídrico. Ou seja, a resposta do uso dessa tecnologia é espécie-dependente.

 

A publicação é importante porque contribui com soluções inovadoras e baseadas na natureza para os desafios enfrentados na restauração florestal em cenário de emergência climática. Ao utilizar a nanotecnologia para aplicar compostos bioativos de forma controlada e eficiente, o estudo oferece uma abordagem promissora para melhorar o desempenho de mudas de espécies arbóreas sob estresse por falta de água. Além disso, os resultados reforçam a necessidade de desenvolver estratégias para diferentes espécies, considerando suas características ecológicas e fisiológicas. 

 

Você pode conferir o artigo completo clicando aqui.

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