Avaliação Rápida de Habitat e População em Multiescala é desenvolvida por pesquisadores do NAPI

O método avalia riscos de distribuição, demografia e declínio populacional em espécies com populações restritas

A falta de dados geográficos, genéticos e ecológicos são um grande empecilho para práticas de conservação ambiental, especialmente quando pensamos em espécies de plantas com populações restritas, frequentemente raras e ameaçadas de extinção. E a coleta de dados se torna ainda mais difícil em um cenário de diversos desafios tecnológicos, metodológicos, financeiros e governamentais que os pesquisadores encontram.

 

Pensando nisso, os pesquisadores e parceiros do NAPI Biodiversidade, André Cesar Furlaneto Sampaio, Pablo Melo Hoffmann, Elivelton Marcos Gurski, Ollyver Rech Bizarro, Santiago José Elías Velazco, Marcos Bergmann Carlucci, Marília Borgo, Mayara Monteiro Ferreira, Alessandro Camargo Angelo e Christopher Thomas Blum, desenvolveram uma metodologia de Avaliação Rápida de Habitat e População em Multiescala (MHPR). O sistema integra tecnologias amplamente testadas, de baixo custo e de rápida aplicação para avaliar os riscos de distribuição, demografia e declínio populacional em espécies com populações restritas.

 

O estudo gerou o artigo “Filling knowledge gaps: A methodological approach for the rapid investigation of species with restricted populations”, publicado no periódico científico dedicado ao aprimoramento de aspectos teóricos e conceituais da ciência da conservação, Perspectives in Ecology and Conservation (PECON).

 

Para a comprovação da eficácia do método, ele foi aplicado à uma palmeira-anã endêmica dos campos do sul do Brasil, criticamente ameaçada de extinção e conhecida a partir de uma única população registrada, a Butia pubispatha. O processo, dividido em três fases, se mostrou altamente eficaz e replicável, detectando, com sucesso, mudanças de habitat ao longo do tempo. Ele revelou uma redução de 86,7% no fragmento focal de habitat de 2013 a 2021 e ressaltou a ameaça crítica da espécie devido à degradação do habitat.

 

A pesquisa desenvolvida se mostra super importante por fornecer novas bases para estudos fenológicos, produção de mudas, pesquisa genética e políticas públicas voltadas ao estabelecimento de áreas protegidas. Além disso, permite controlar a translocação de indivíduos para a conservação de Butia pubispatha, bem como de outras espécies de plantas que se encontrem em situações semelhantes. 

 

Você pode conferir o artigo clicando aqui

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