Cientistas participam da 1ª Conferência Paranaense de Emergência Climática

O evento ocorreu na cidade de Foz do Iguaçu

Você notou que a emergência climática foi um dos assuntos mais discutidos em 2024? Aqui no Brasil, tivemos acontecimentos extremamente marcantes, como a situação do Rio Grande do Sul e do Maranhão, mas, ao redor do mundo, também aconteceram diversos casos graves, como na Espanha e no Nepal. 

 

Nesse cenário preocupante, o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação em Emergência Climática, com o apoio do Governo do Estado – por meio das secretarias da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e da Fundação Araucária – e da Itaipu Binacional, promoveu a 1ª Conferência Paranaense de Emergência Climática.

 

O evento ocorreu em Foz do Iguaçu, entre os dias 2 e 4 de dezembro. Participaram pesquisadores, cientistas, estudantes e diversos representantes de instituições, governamentais e empresariais, preocupados com a temática.

Equipe de pesquisadores do NAPI Emergências Climáticas

E claro que o NAPI Biodiversidade não poderia ficar de fora dessa grandiosa e importante conferência, que teve como objetivo debater soluções e articular ações de pesquisa científica para enfrentar as mudanças climáticas, com foco na adaptação e mitigação de impactos ambientais, sociais e econômicos. 

 

Os pesquisadores do Arranjo, professores Marcos Robalinho e Halley Caixeta de Oliveira, da Universidade Estadual de Londrina (UEL); Susicley Jati e Dayani Bailly Fernandes, da Universidade Estadual de Maringá (UEM); e Ana Alice Eleuterio, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), participaram das mesas redondas e palestras. 

Pesquisadores do NAPI Biodiversidade , doutores Halley Caixeta, Dayani Bailly e Marcos Robalinho e Luiz Fernando Esser

A primeira palestrante do grupo foi a agrônoma da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu Binacional, Liziane Kadine Antunes de Moraes Pires. Ela falou sobre o processo de restauração florestal do entorno da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que envolve mais de 100 mil hectares de terras, boa parte já preservada no lado paraguaio.

 

Uma das estratégias foi o plantio de uma cortina florestal, que é composta por espécies de menor inflamabilidade em relação ao cultivo principal, protegendo-o de possíveis incêndios. Além disso, há o monitoramento do espaço com câmera-trap, drones, carros, imagens de satélites, bem como rádio-colares em onças.

 

Já a segunda palestra foi proferida pela professora do Departamento de Biologia (DBI), da UEM e pesquisadora do NAPI Emergências Climáticas e NAPI Biodiversidade, Dayani Bailly Fernandes. O tema foi a relação das mudanças no clima com a biodiversidade, que sofre com impactos fisiológicos, aumento de doenças, eventos de extinção, rupturas em serviços ecossistêmicos e perda de espécies com as mudanças climáticas. 

Palestra da doutora Dayani Bailly Fernandes

Dayani reforçou a importância de ampliar áreas protegidas para abrigarem refúgios climáticos, bem como de estudos para a detecção de áreas degradadas e implementação de projetos de restauração. Inclusive, comentou sobre uma pesquisa que está sendo desenvolvida com araucárias sob estresses térmico e hídrico, mas que foram tratadas com nanopartículas liberadoras de óxido nítrico [NO], reforçando o papel dessa tecnologia para o enfrentamento de mudanças climáticas, reflorestamento e sucesso na recomposição da vegetação.

 

Por fim, o professor do Departamento Acadêmico de Computação, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Reginaldo Ré, demonstrou aspectos computacionais e de inteligência artificial que apoiam tomadas de decisão em biodiversidade e no âmbito da emergência climática.

 

“É evidente a necessidade e importância de trabalhos interdisciplinares para solucionar problemas envolvendo o meio ambiente. Não cabe apenas aos profissionais das áreas ciências biológicas, mas é um trabalho coletivo com outros profissionais, como da  computação e geoprocessamento, por exemplo”, disse Ré.

 

Diante deste cenário, criou-se o Centro de Competência em Desenvolvimento de Software e Inteligência Artificial, voltado para a pesquisa, desenvolvimento, inovação e formação de recursos humanos. A entidade trabalha atualmente com diversos projetos atrelando biodiversidade e inteligência artificial e utilizando o conceito de Design Science Research para o desenvolvimento de softwares científicos.

Mesa redonda “Emergência Climática - Impactos na Biodiversidade e nas Bases Ecológicas do Território Paranaense”

Em resumo, o evento mostrou aos participantes a importância do debate acerca das mudanças climáticas, bem como a necessidade de troca de conhecimentos entre os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação. Cada um dos NAPIs pode colaborar com os avanços científicos do outro, promovendo cada vez mais melhorias nos estudos e pesquisas desenvolvidas pelos pesquisadores dos Arranjos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *